
Lições de três líderes de produto vivendo o futuro
O cenário
Nikhyl Singhal conversou com três CPOs que reestruturaram seus times de produto para operar num mundo onde qualquer pessoa pode construir software: Sharmeen Chapp (Midjourney), Jiaona Zhang (Laurel) e Henrik Berggren (Mutiny). As equipes são minúsculas de propósito - dois PMs e um designer na Mutiny, três pessoas na Midjourney, nove em produto e design na Laurel - mas todas operam com clientes reais, contratos enterprise e histórico pré-IA.
Tornar o entendimento do cliente acessível a todos
Sharmeen entrou na Midjourney como primeira pessoa de produto da empresa. Sua estratégia: garantir que toda a empresa tenha julgamento para construir a coisa certa. O mecanismo são chamadas com usuários várias vezes por semana, com engenheiros na sala. Na Mutiny, gravações de chamadas viram artefatos acessíveis a todos em minutos, e engenheiros com instinto de produto tomam decisões sozinhos, sem PM como intermediário.
Engenharia deixou de ser o gargalo
O antigo fluxo de bug fix - reportar, traduzir, priorizar, esperar - está desaparecendo. Na Laurel, customer success managers publicam mudanças administrativas em produção em até 24 horas. Na Mutiny, qualquer pessoa pode pedir ao Cursor para investigar um bug; engenheiros revisam o PR e o merge é anunciado no Slack. Sharmeen relatou um caso em que, durante uma chamada com usuário, enviou a descrição de um bug para o agente interno da Midjourney e um pull request já estava pronto para revisão antes do fim da ligação. Backlogs, na visão dela, simplesmente não existem mais.
A transformação foi construída, não imposta
Nenhuma das três empresas usou métricas de vaidade ou pressão por uso de tokens. As táticas incluem:
- Tratar funcionários como usuários - observar o que realmente usam e melhorar o produto interno quando a adoção trava.
- Engenhar a primeira vitória - JZ ofereceu bônus em dinheiro para a primeira feature de go-to-market em produção; Henrik criou um canal no Slack que notifica quando clientes fazem algo significativo.
- Uma habilidade compartilhada por função - em vez de cada pessoa explorar ferramentas por conta própria, uma habilidade bem escolhida é adotada por todos.
- Medir tempo, não tokens - definir onde o tempo das pessoas deveria ser gasto e verificar se as ferramentas ajudam.
- Rodar IA em público, dentro das ferramentas existentes - agentes em canais compartilhados do Slack, com especialistas ensinando a empresa em tempo real.
- Parear hackers AI-native com líderes experientes - na Laurel, recém-formados trabalham junto com líderes funcionais.
Destaques adicionais
- Times enxutos são o novo norte de carreira - gerenciar um "fleet" de agentes vale mais que gerenciar headcount.
- Portas laterais para PM reabriram - recém-formados podem entrar por operações de IA ou roles de construção junto ao cliente.
- Filtragem é a nova priorização - com output barato, a disciplina muda de escolher o que construir para filtrar o que já foi produzido.
- Processo volta, mas de forma deliberada - Sharmeen está reintroduzindo coordenação mínima na Midjourney para evitar colisões entre times.
- Sprint quando as ferramentas saltam; descansar de propósito - JZ chama de "velocidade de guepardo": ir forte quando uma nova capacidade surge, depois consolidar.