
Índia lança primeiro foguete privado ao espaço com a Skyroot
Foguete privado indiano alcança órbita
Em 18 de julho, o foguete Vikram-1, da Skyroot, tornou-se o primeiro foguete construído por uma empresa privada na Índia a alcançar órbita, com sucesso já na primeira tentativa. A missão Aagaman partiu de Sriharikota e colocou carga útil a cerca de 450 km de altitude. O voo ocorreu exatamente 46 anos depois de a Índia ter alcançado órbita pela primeira vez com um foguete próprio.
O Vikram-1 se destaca por ter estrutura totalmente em composto de carbono e por motores de estágio superior impressos em 3D. Ele é projetado para levar cerca de 350 kg à órbita terrestre baixa, com montagem e lançamento possíveis em até 24 horas. A Skyroot o apresenta como uma espécie de “táxi orbital”. O foguete levou satélites de startups indianas, um braço robótico para prática de captura de detritos espaciais e hardware de uma empresa alemã - aposta relevante por se tratar de voo inaugural.
Empresa criada antes da lei
O caso chama atenção porque a Skyroot foi fundada em 2018, antes de a Índia abrir formalmente o setor espacial à iniciativa privada, o que só ocorreu em 2020. Até hoje, o país não possui uma lei espacial aprovada; toda a atividade espacial privada indiana opera com base em políticas executivas e autorizações do órgão IN-SPACe, sem respaldo estatutário pleno. Um projeto de lei segue pendente desde 2025.
Esse histórico remonta à origem do programa espacial indiano, ligado inicialmente ao programa nuclear e marcado por preocupações de soberania e uso dual, já que foguetes lançadores e mísseis balísticos compartilham tecnologia sensível. Por isso, durante décadas, o lançamento espacial foi monopólio estatal na prática, não por proibição explícita, mas por ausência de regulamentação que permitisse operações privadas.
Financiamento e impacto no setor
A Skyroot levantou cerca de US$ 160 milhões ao todo. O investimento inicial veio do empreendedor Mukesh Bansal, por meio de mensagens no LinkedIn. Rodadas posteriores envolveram fundos ligados aos fundadores da Greenko, Solar Industries, GIC e Temasek - ambos ligados ao governo de Singapura - e, em maio de 2026, uma captação de aproximadamente US$ 60 milhões avaliou a empresa em US$ 1,1 bilhão, tornando-a o primeiro unicórnio de tecnologia espacial da Índia.
O artigo destaca o contraste: a capacidade tecnológica é indiana, mas grandes cheques vieram de fundos soberanos estrangeiros, sem capital estatal indiano no quadro societário. Ainda assim, o lançamento é visto como marco para a indústria espacial privada do país, que passou de uma startup registrada em 2014 para mais de 400 hoje, com investimento privado superior a US$ 600 milhões desde 2020. A meta da Skyroot é lançar cerca de um foguete por mês a partir de 2027.