
Zoox começa a oferecer corridas em robotáxis sem volante ou pedais
Serviço e proposta
A Zoox, empresa de veículos autônomos da Amazon, começou a operar robotáxis elétricos sem motorista, volante, painel ou pedais. Os veículos circulam por São Francisco e passaram a cobrar pelas corridas em Las Vegas. Projetados especificamente para operar sem controles manuais, eles podem trafegar nos dois sentidos, acomodam até quatro passageiros frente a frente e têm janelas que ocupam grande parte das laterais. A tarifa é aproximadamente equivalente à opção “comfort” de outros serviços de transporte por aplicativo.
A Amazon aposta que a Zoox poderá conquistar espaço em um mercado que, segundo a Goldman Sachs, pode alcançar quase US$ 19 bilhões em vendas até 2030, ante US$ 376 milhões no ano anterior. A frota atual tem cerca de 100 veículos, montados em uma fábrica em Hayward, na Califórnia, com capacidade anual de até 10 mil robotáxis. A empresa testa o serviço em Austin, no Texas, e em Miami, onde planeja iniciar operações em breve.
Regulação e histórico
A Administração Nacional de Segurança no Trânsito Rodoviário dos Estados Unidos (NHTSA) autorizou a Zoox a cobrar por corridas em até 5 mil veículos nos dois anos seguintes, mas impôs restrições: os táxis não podem circular sob chuva intensa, neve, grande quantidade de folhas ou em vias com limite de velocidade superior a 45 milhas por hora. Os veículos também devem informar aos passageiros como apresentar reclamações à agência.
A autorização veio após um processo regulatório conturbado. Em 2022, a Zoox declarou que seus carros cumpriam os padrões federais de segurança, mas a NHTSA contestou a avaliação, citando a ausência de controles manuais e problemas com o tipo de vidro e os refletores laterais. No ano seguinte, a agência concedeu uma isenção e permitiu corridas demonstrativas gratuitas. Desde então, os veículos registraram mais de 3 milhões de milhas autônomas em vias públicas e transportaram quase 1 milhão de passageiros.
A NHTSA afirma estar atualizando as normas para retirar exigências que pressupõem a presença de um motorista, como pedais de freio, alavancas de transmissão e limpadores e desembaçadores manuais, sem abandonar os requisitos de desempenho em segurança. A agência também desenvolve padrões específicos para veículos autônomos.
Riscos e concorrência
A Zoox enfrenta a Waymo, líder inicial do setor, com cerca de 4 mil veículos em várias cidades, e a Tesla. A Tesla já iniciou a produção em volume do Cybercab, que também não tem volante nem pedais, mas ainda não obteve a mesma aprovação regulatória para transportar passageiros pagantes. Ao contrário da Waymo, que abandonou em 2017 um protótipo sem volante e optou por adaptar carros existentes com sensores, a Zoox decidiu construir seu veículo do zero.
A diretora-executiva Aicha Evans diz que essa escolha permitiu ajustar mais rapidamente o projeto com base no retorno dos passageiros. Especialistas, porém, consideram a estratégia o caminho mais difícil, devido ao tempo e ao dinheiro necessários para desenvolver software, fabricar os carros e realizar testes de segurança. Um professor emérito da Carnegie Mellon também afirmou que a empresa deixou de cumprir requisitos que não tinham relação com a ausência de motorista.
Apesar da apreensão inicial de alguns passageiros, relatos indicam que a sensação pode diminuir após alguns minutos. Usuários também destacaram a privacidade e disseram que escolheriam a Zoox novamente, especialmente se o serviço conseguisse levá-los mais rapidamente ao destino. A expansão dependerá, contudo, da capacidade de conciliar operação, fabricação, segurança e aprovação regulatória.