
Julgamento nos EUA acusa Meta de projetar o feed infinito para viciar
A acusação contra o feed infinito
O texto sustenta que o scroll infinito não deve ser tratado apenas como uma escolha de experiência do usuário, mas como um mecanismo de exploração comportamental. A tese é apresentada no contexto de um julgamento federal nos Estados Unidos, no qual procuradores estaduais acusam a Meta de projetar os feeds do Instagram e do Facebook para enfraquecer a capacidade de autocontrole dos usuários e prolongar seu tempo de permanência.
Segundo a publicação, acusações semelhantes foram apresentadas pela União Europeia com base no Digital Services Act, enquanto um júri da Califórnia já teria condenado empresas de tecnologia a pagar milhões de dólares por mecanismos de design considerados viciantes. Esses episódios são usados como sinal de que a lógica de maximizar o engajamento pode estar sendo questionada também nos tribunais. O texto, porém, adota uma posição editorial e não descreve decisões definitivas sobre todas as acusações mencionadas.
Como o mecanismo funcionaria
A publicação afirma que a indústria passou quase duas décadas tratando a invenção de Aza Raskin, em 2006, como um avanço de usabilidade. Ao eliminar pontos naturais de parada, como capítulos, rodapés e páginas separadas, o feed contínuo permitiria que o usuário consumisse conteúdo sem uma pausa clara para avaliar se deveria continuar ou fechar a página.
O argumento central é que essa ausência de limites reproduziria a lógica de recompensa variável de uma máquina caça-níqueis: depois de passar por anúncios ou publicações pouco interessantes, o usuário encontraria um conteúdo de alto valor e aprenderia a continuar rolando em busca da próxima recompensa. Para o texto, a prática não teria surgido por acidente. A remoção dos sinais de encerramento teria sido deliberada porque os feeds sem fim aumentariam as impressões de anúncios.
A crítica também é técnica. O artigo afirma que o rodapé se transforma em um alvo que se afasta enquanto o conteúdo é carregado; que a árvore do documento pode crescer com milhares de nós não renderizados, prejudicando o desempenho de navegadores móveis; e que o gerenciamento de estado pode falhar quando o usuário abre um link e retorna à página anterior, levando-o novamente ao início do feed.
Alternativas propostas
A conclusão é que profissionais da web deveriam abandonar o design orientado exclusivamente por engajamento, independentemente de uma ordem judicial específica. Entre as alternativas, o texto recomenda pontos explícitos de “Carregar mais”, marcadores claros de “Você viu tudo” e paginação carregada em segundo plano, com URLs atualizadas por pushState.
A publicação defende que a web aberta não deveria se comportar como um espaço sem fundo e que a atenção humana não deve ser tratada como um recurso inesgotável. Sua conclusão combina uma crítica ética - sobre projetar interfaces para manter pessoas presas - com uma crítica de engenharia: o mesmo padrão que favoreceria a publicidade também poderia degradar a usabilidade, o desempenho e a previsibilidade da navegação.