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Figura solitária em trono feito de globos conectados, retrato do império de Zuckerberg com 3,6 bilhões de usuários
Big Tech

Perfil traça o império de Zuckerberg com 3,6 bilhões de usuários

resumo de ~3 min

Um perfil íntimo e imperial

O repórter Jeremy Stern, da Colossus, traça um retrato de Mark Zuckerberg como soberano de "história do maior império não territorial": a Meta, com 3,6 bilhões de usuários e valor de mercado de US$ 1,6 trilhão. A reportagem combina cenas de convivência - treinos de MMA em Lake Tahoe, entrevista com os pais, Ed e Karen, no aniversário de 42 anos dele - com uma análise da posição anômala em que Zuckerberg se encontra desde os 19 anos.

Infância e sinais precoces

Os pais relatam uma infância com sinais de uma disposição sistemática: aos 11 anos, em 1996, Zuckerberg criou o ZuckNet, um programa em Atari BASIC que conectava os computadores do consultório odontológico do pai em Dobbs Ferry - um ano antes do AOL Instant Messenger. Aos 12, depois de perder por vírus um jogo de computador inspirado em Risk, reconstruiu o jogo do zero, prometendo otimizá-lo. O jogo se passava no Império Romano, tema que atravessaria sua vida: ele cultua Augusto, adotava o lema "Carthago delenda est" em reuniões de crise contra o Google, encerrava assembleias gritando "Dominação!" e usava a camiseta "Aut Zuck aut nihil" em 2024. Os três filhos se chamam Maxima, August e Aurelia.

O dilema do ditador

O cerne analítico do perfil é o "dilema do ditador": quanto mais poder e distância do topo, mais o governante depende de terceiros para informações - e menos esses terceiros se dispõem a dizer o que ele não quer ouvir, por medo, gratidão ou autocensura. O texto ilustra com Stalin antes da invasão alemã de 1941, as fomes do Grande Salto Forward de Mao, a groupthink da Baía dos Porcos e o gerenciamento do Nokia que minimizou o iPhone.

Segundo quase todas as três dezenas de fontes entrevistadas, Zuckerberg é hiperconsciente desse risco: é micromanager voraz, conversa com subordinados de subordinados, convida críticos externos para debater decisões e aceita culpa pública por erros alheios. Ainda assim, há deslizes: o apelido interno "M.M.H." ("Make Mark Happy") para um projeto em fracasso que os times sentiam obrigação de sustentar; a supressão em 2016 de alertas sobre troll farms estrangeiras; e relatos recorrentes de propostas de rebaixamento de conteúdo lixo mortadas por superiores que previam que Zuckerberg não sacrificaria a expansão pela qualidade. A cultura foi selada em 2006, quando ele, aos 22 anos, recusou a oferta de US$ 1 bilhão da Yahoo! e quase toda a gestão pediu demissão, consolidando o princípio de que, diante da oposição, Zuckerberg está certo.

O MMA como antídoto

O perfil sugere que a paixão recente por MMA e jiu-jítsu - treinos três manhãs por semana com o técnico Dave Camarillo e com o lutador Merab Dvalishvili - funciona como escape do isolamento: um ambiente onde ele é "apenas um dos caras", pode ser derrubado e atingido, e recebe feedback físico imediato. Zuckerberg já falou publicamente da "energia masculina" do esporte como contrapeso à sociedade corporativa "emasculada".

Império sob pressão e o assédio da Apple

O contexto corporativo é tenso: decisões de júri sobre danos a jovens usuários, um acordo de até US$ 17,1 bilhões com 51 jurisdições (sem admissão de culpa), uma falha de segurança em que hackers obtiveram contas de Instagram via bot de suporte de IA, e um programa de gravação de teclas de funcionários suspenso após vazamento. O texto descreve também os US$ 10 bilhões de perda no primeiro ano com a App Tracking Transparency da Apple - que Ben Thompson chamou de "uma das piores violações antitruste da história da tecnologia".

Essa dependência da Apple explica, segundo o perfil, as tentativas de "fuga" de Zuckerberg: Facebook Phone, Facebook Home, Free Basics, Libra, Oculus e o Metaverse - a maioria colapsada. Ele afirma querer, nos próximos 10 ou 15 anos, construir a tecnologia fundamental que não dependa de provedores de plataforma. Os óculos Meta AI, apresentados em evento com Kylie Jenner e linha própria de óculos de sol, são sua aposta de redenção: "o formato ideal" para uma IA que vê, ouve e conversa - depois de cerca de US$ 90 bilhões gastos em realidade virtual e aumentada.