
ChatGPT Ads atinge US$ 1 bi em receita anualizada em menos de 200 dias
A tese do autor
Vincent Schmalbach, que atua com SEO há mais de vinte anos e acompanhou a construção do negócio de anúncios do Google, argumenta que o modelo de publicidade do ChatGPT vai dar certo. Para ele, a evidência não está apenas na receita, mas no formato escolhido pela OpenAI, que segundo ele lembra o melhor sistema de anúncios já construído: o AdWords de 2002.
Os números do ChatGPT Ads
A OpenAI começou a testar anúncios nos Estados Unidos em 9 de fevereiro, para usuários dos planos Free e Go. Em 31 de agosto, informou que o ChatGPT Ads havia atingido 1 bilhão de dólares em receita anualizada em menos de 200 dias, com dezenas de milhares de anunciantes, disponibilidade em mais de 40 países e compra self-serve em 31 mercados europeus. O autor, porém, diz que a receita não é o motivo do otimismo.
O modelo do AdWords de 2002
Em fevereiro de 2002, o Google mudou o AdWords para custo por clique e passou a ordenar os anúncios por uma combinação da taxa de cliques com o preço que o anunciante aceitava pagar. Um anúncio que ninguém clicava perdia a posição independentemente do dinheiro investido. Os anúncios ficavam em uma coluna separada, e o comunicado prometia que os resultados orgânicos não eram afetados pelo pagamento. Para Schmalbach, esse foi o melhor sistema de publicidade já construído: funcionava para anunciantes e usuários, os anúncios eram relevantes, e era possível escolher olhar os resultados ou os anúncios - ao contrário da mistura atual.
Ele vê o mesmo desenho no que a OpenAI descreve: os princípios declarados dizem que os anúncios são "sempre separados e claramente rotulados" e "não influenciam as respostas do ChatGPT". O primeiro formato é um anúncio na parte inferior de uma resposta, quando há um produto patrocinado relevante; os planos Plus e Pro permanecem sem anúncios; e usuários Free podem desativar os anúncios em troca de menos mensagens diárias. Um anúncio rotulado abaixo de uma resposta escrita sem pensar no anúncio seria, na análise dele, o formato de 2002, não o do Google atual.
O Google tentando virar ChatGPT
No I/O de maio, o Google anunciou a maior mudança em sua caixa de busca em 25 anos, "completamente reimaginada com IA", com o Gemini 3.5 Flash como modelo padrão do AI Mode. O autor argumenta que, quando o incumbente começa a copiar o recém-chegado, o original costuma vencer - embora reconheça que a maioria das pessoas ainda usa o Google por hábito e muitos nem consideram o ChatGPT como alternativa.
Seu mecanismo para a virada: o Google processa mais de 5 trilhões de buscas por ano e as pessoas esperam respostas instantâneas. Para entregar respostas de IA nessa escala e nessa velocidade, não é possível rodar um modelo forte - por isso, segundo ele, o padrão do AI Mode é um modelo Flash. O resultado é uma resposta de qualidade inferior, que gera desconfiança, e é aí que alguém experimenta o ChatGPT e percebe que a resposta é melhor.
A lacuna que mudou em um ano
Há um ano, a busca web do ChatGPT resumia os dez primeiros resultados, aproximando-se do AI Overview do Google, e a alternativa de pesquisa profunda (lançada em fevereiro de 2025 sobre uma versão do o3, com 5 a 30 minutos por consulta e 100 consultas mensais no plano Pro de 200 dólares) servia para pesquisas sérias, não como substituto da busca. O autor usa conta paga com os modelos Pro, mas nota que desde agosto o tier gratuito roda o GPT-5.6 Luna com chats de texto ilimitados, um modelo razoavelmente bom. Hoje, ao perguntar ao ChatGPT algo que digitaria no Google, ele observa que a ferramenta escaneia a web, investiga, descarta spam de SEO e tópicos falsificados no Reddit, e consegue pesquisar, extrair e usar sites - do melhor tênis de corrida ao melhor preço. Não é instantâneo: ele espera de 10 a 20 segundos.
O ponto comercial e o contraponto
Tênis, destinos de viagem e comparações de preço são exatamente as consultas em que anúncios funcionam. Em março de 2025, o autor escrevera sobre o problema de monetização dos chatbots: eles ficavam com as perguntas informacionais enquanto o Google mantinha as perguntas comerciais lucrativas. Isso se inverteu, pois as perguntas comerciais estão migrando para o ChatGPT.
A objeção que ele reconhece como válida é a de que, uma vez existindo anúncios, eles se infiltrarão na resposta, e o usuário nunca saberá quando está sendo vendido algo. É o mesmo conflito de interesses que acompanhava o Google desde o início. Ele não julga como o Google lidou com isso nem como a OpenAI vai lidar, mas observa que o conflito não impediu o sucesso econômico do Google - e não acredita que impedirá o do ChatGPT.